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Intervenção 25 Abril 2015 | José Luís Araújo

Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal
Ex.mo senhor Presidente da Câmara Municipal
Demais entidades aqui representadas
Minhas senhoras e meus senhores.

É imensa a alegria de vivermos hoje em liberdade e em democracia.

Passaram já 41 anos desde que o MFA libertou os portugueses de uma ditadura de mais de 47 anos e nos permitiu conquistar a Liberdade, a Democracia, a Paz e a Justiça Social.

Precisamente há um ano atrás, neste mesmo local, referi que estávamos literalmente perante a necessidade de uma nova revolução. Reafirmo-o hoje de novo. Aliás, poderia aqui hoje repetir todo o discurso do ano passado que este, infelizmente, continuaria atual.

Por muito que queiramos ser positivos e otimistas, a realidade mostra-nos que o país onde nos orgulhamos de viver não está melhor. Em muitos aspetos, no último ano, o país afastou-se ainda mais dos objetivos e dos ideais de abril.

Por exemplo, no último ano assistimos ao lamentável facto de termos quase todo o sistema judicial parado cerca de 2 meses por uma falha informática nas alterações do Mapa Judiciário sem que nenhum responsável político tivesse tido a hombridade para se demitir perante tamanho descrédito do Sistema Judicial perante as populações.

Mas o descrédito do Estado não se fica por aqui, o Sistema Fiscal tem vindo a ser transformado num enorme “Big Brother” que chega ao ponto de cobrar a clientes dívidas de estabelecimentos comerciais onde estes pediram fatura, levando-nos a temer que pode estar a ser posto em causa o legítimo direito à confidencialidade dos nossos dados fiscais.

Desacredita-se o Estado quando um Presidente da República apregoa a solidez de um banco quando sabia (porque tinha obrigação de saber) que estava já falido. É lamentável que as entidades reguladoras do sistema financeiro tenham falhado redondamente na sua missão ao ponto de levar muitos cidadãos a serem lesados nos seus depósitos e permitido que o escândalo BES/PT atingisse a dimensão que a Comissão parlamentar de inquérito veio a demonstrar.

A descredibilização do Estado português perante o povo português é em muito semelhante ao descrédito da União Europeia perante os povos europeus. À vergonha da austeridade imposta aos países do sul da Europa, em que os interesses financeiros valem mais que a dignidade das pessoas, soma-se agora a vergonha da tragédia das mortes no Mediterrâneo. A União Europeia está agora a sofrer as consequências da sua desastrosa política externa e da sua diplomacia.

A necessidade de nova revolução afigura-se ainda mais urgente depois de há 2 dias atras termos ficado a saber que PS, PSD e CDS querem condicionar a atuação dos órgãos de comunicação social na cobertura jornalística das próximas Eleições Legislativas. A simples ideia de uma medida desta natureza é, só por sí, repugnante.

Pelo que se vê, para além da austeridade, há vários outros assuntos maus para o país onde estes 3 partidos se entendem muito bem.

De pouco nos vale ter os cofres cheios se aumenta cada vez mais o risco de pobreza.

De pouco nos vale ter os cofres cheios se temos cada vez mais pessoas a depender da caridadezinha paroquial para não morrerem à fome.

De pouco nos vale ter os cofres cheios se somos o país da União Europeia com a quarta maior taxa de abandono escolar precoce.

De pouco nos vale ter os cofres cheios se temos a maior dívida externa de sempre, se temos uma enorme carga fiscal sobre quem trabalha, se continuamos com cortes nos salários, nas pensões e nos apoios sociais.

Lamentavelmente o Portugal que hoje temos é cada vez mais parecido com o Portugal da ditadura.

Portugal precisa muito mais de políticos sérios que conheçam e defendam aquilo que as populações precisam do que ilustres economistas que apenas conheçam a frieza dos números.

Minhas senhoras e meus senhores

Perante a desastrosa política levada a cabo pelos partidos que tem governado o país nos últimos anos, só resta ao povo uma alternativa: rejeitar categoricamente estas políticas e a austeridade que nos tem atormentado.

O Bloco de Esquerda não se resigna perante este cenário. Continuaremos a lutar com convicção e coragem pela defesa das conquistas de abril, pelo progresso e desenvolvimento, pelo respeito por quem trabalha e por quem trabalhou uma vida inteira, por um futuro melhor para todos.

- VIVA O 25 DE ABRIL!