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Bloco debateu os direitos laborais e a precariedade

No âmbito das Eleições Legislativas, o Bloco de Esquerda promoveu, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, um debate sobre “Direitos Laborais e Precariedade”, com a participação de Andrea Lopes, jurista e candidata por Braga, António Lima, advogado especialista em direito do trabalho, Raquel Azevedo, sindicalista e candidata por Braga, e Sónia Ribeiro, dirigente sindical e candidata por Braga.
A famalicense Raquel Azevedo começou por expor o estado atual da situação laboral, principalmente da contratação precária nos call centers, setor onde atualmente trabalha. Para a candidata, “as novas profissões e a uberização das relações de trabalho coloca os sindicatos tradicionais à margem das lutas necessárias por estes trabalhadores, pelo que leva ao surgimentos de novos movimentos inorgânicos”.

A dirigente bloquista critica “as alterações à legislação promovidas pelo bloco central PS/PSD” e defende “o reforço dos direitos laborais na próxima legislatura, que passem pelo aumento dos salários, a redução da jornada de trabalho, o combate à precariedade, os benefícios para os trabalhadores por turnos e o alargamento dos direitos de parentalidade”.
Sónia Ribeiro, presidente do Sindicato dos Escritórios, Comércio e Serviços do Minho – Cesminho, reconhece o enfraquecimento da luta sindical por se verificar “decisões de cima para baixo, gerando o sentimento de falta de poder de decisão aos trabalhadores” e afirma que “os sindicatos são compostos por trabalhadores e devem refletir os seus interesses, estando dependentes do empenho destes nas causas”.
Na mesma linha de opinião, António Lima defende “a união dos trabalhadores para equilibrar e superar as relações que tendencialmente são desfavoráveis aos trabalhadores” e realça que “a lei até pode ser positiva, mas apenas o esforço conjunto dos trabalhadores pode garantir o cumprimento da legislação e o respeito pelos seus direitos”. Andrea Lopes, apesar de admitir que “há muita informação disponível”, “é difícil os trabalhadores compreenderem a plenitude dos seus direitos”.