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BE rejeita comemorações do 25 de Novembro e não estará presente na sessão da AM.

Reunido em plenário concelhio de aderentes, no passado sábado 21 de novembro, o Bloco de Esquerda de Vila Nova de Famalicão, discutiu, entre outros assuntos, a sessão evocativa/comemorativa dos 40 anos do 25 de novembro, promovida pela nossa Assembleia Municipal.

Resultou da análise e discussão desse assunto, que o BE famalicense entende esta iniciativa da Assembleia Municipal, proposta e aprovada pelos grupos municipais do CDS e do PSD, como uma afronta aos valores e à memória do 25 de abril, a reboque dos sectores mais conservadores desses partidos, principalmente do CDS.

O Bloco de Esquerda não aceita que a direita radical, servindo-se da maioria que de tem na Assembleia Municipal, queira rever a história, aproveitando-se de um órgão autárquico para o fazer.

Tal evocação não pode deixar de estar associada, independentemente das leituras que façamos desta nossa história ainda recente, aos segmentos mais conservadores da sociedade portuguesa da época, sendo até alguns dos seus destacados intervenientes personagens com ligações ao regime fascista derrubado em 1974.

O 25 de novembro é a data que deu início ao retrocesso das liberdades e iniciativas dos trabalhadores e das populações, sendo o primeiro passo na tentativa de por fim à verdadeira data libertadora, que foi o 25 abril. Inclusive, muitos democratas que foram arrastados para essa ação reacionária, hoje, mesmo revendo-se numa democracia mais liberal que agora predomina, não vê motivos de celebração nessa data.

Como tal, não poderia o Bloco de Esquerda associar-se marcando presença nessa sessão solene, dando o seu aval a quem pretende valorizar essa data - certamente marco nesse processo histórico “tumultuoso de avanços e recuos” e que os arautos do 24 de abril querem ver como o “dia inicial inteiro e limpo” - por oposição à data que, essa sim, merece que todos os famalicenses e os seus representantes eleitos comemorem, que é o 25 de abril.

 

Notícia no Jornal O Minho