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Bloco promove debate sobre políticas culturais

A Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda do Famalicão promoveu, no passado sábado, uma sessão para debater as políticas para a área da Cultura. A sessão realizada no Museu Bernardino Machado contou com a presença de Jorge Campos, deputado do BE e vice-residente da comissão parlamentar de Cultura, Álvaro Santos, Diretor Artístico da Casa das Artes, Bruno Martins, Diretor Artístico do Teatro Didascália, Luis Serguilha, poeta e ensaista, Pedro Soares, deputado do BE eleito por Braga, e Ana Rute Marcelino, dirigente concelhia.

O debate permitiu abordar várias questões relativas à cultura, sendo que o orçamento global e o modelo de financiamento ocuparam grande parte das intervenções. Para Jorge Campos, o novo modelo de financiamento veio acentuar as “gritantes assimetrias regionais” e as verbas atribuidas são “insuficientes” para as estruturas planearem a atividade. Segundo o deputado, “o Bloco de Esquerda continuará empenhado em reforçar o orçamento nacional para a cultura”, apesar de reconhecer que “o peso parlamentar do BE continua a ser insuficiente para pressionar o governo PS a dedicar 1% do orçamento para esta área, conforme defende o BE, em vez dos atuais 0,18%”.

Bruno Martins prefere “não diabolizar este modelo”, uma vez que permitiu “revolucionar a atribuição dos apoios, acabando com a separação dos artistas por “castas”, que acontecia até então”. O ator considera, contudo, que “não há estratégia nacional para as artes” e que “este orçamento não assegura projetos sustentáveis”.

Álvaro Santos reconheceu “a melhoria significativa no ensino artístico”, destacando as escolas do concelho com oferta de elevada qualidade na área do teatro e da música. Defendeu ainda a necessidade urgente da regulação laboral, exigindo a criação do estatuto do artista, e referiu que a “a grande transformação” será a rede de teatros municipais, enquanto motor da criação.

Luís Serguilha afirma que “a política cultural permite criar fluxos para a intensificação do sensível, lutando contra a banalidade, ignorância o fanatismo”. Para justificar a parco investimento na cultura em Portugal, o poeta aponta como razão o facto do “o poder tem horror ao pensamento intensivo”.

Este debate é o primeiro de um conjunto de iniciativas que a Coordenadora Concelhia de Famalicão do Bloco de Esquerda pretende dinamizar no concelho, para debater vários assuntos de forma alargada e plural.