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Há tenção e tensão e até…

Esta será uma questão marginal para o nosso concelho, quanto mais não seja por uma questão de território, pois só afetará diretamente populações residentes na extremidade poente da nossa comunidade.

Escrevo a propósito da construção por parte da Rede Elétrica Nacional (REN) de uma nova linha de muito alta tensão (LMAT) com ligação internacional que virá pela Galiza, e que neste concelho entronca numa subestação a construir na freguesia de Fradelos, passando ainda por Gondifelos, sendo igualmente as freguesias de Ribeirão e Vilarinho das Cambas abrangidas pela área de estudo deste projeto.

Tendo em conta que o prazo de consulta pública termina(ria?) no dia 27 do corrente mês de fevereiro, sem que a Câmara Municipal tenha promovido quaisquer esclarecimentos junto das populações, ou tomado qualquer outra posição – para além de uma discreta divulgação na sua página eletrónica, ou enviado o assunto à Assembleia Municipal para discussão, parece-nos (ao BE) ser de exigir que a Câmara Municipal solicite o prolongamento do prazo de consulta pública e promova um amplo debate junto da população famalicense no sentido de que possam ser conhecidos e esclarecidos os eventuais riscos que estes equipamentos acarretam.

Porque eles existem - estudos que indiciam associações entre a exposição longa aos campos eletromagnéticos (da muito alta tensão) e uma maior ocorrência de leucemia, doença de Alzheimer ou esclerose lateral amiotrófica -, a Organização Mundial de Saúde (OMS) na presença de estudos não unânimes ou inconclusivos da comunidade científica, aponta para a necessidade de ser estabelecido o princípio da precaução, havendo alguns relatórios que apontam, nas suas conclusões, para uma relação entre a instalação deste tipo de estruturas (LMAT) e o aumento de incidências de algumas das doenças referidas em populações que habitam em seu redor e assim, ao abrigo do tal princípio da precaução consignado pela OMS, é, perante a incerteza quanto aos riscos de determinados equipamentos, preferível o afastamento dos mesmos.

E a nossa Câmara Municipal pressurosa na fabricação de realidades (padece também de síndrome portas-cunículo), omite o seu dever de esclarecer e proteger os famalicenses, mesmo que os das margens.