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Vaza

Vai baixa a maré, em refluxo de tempos que foram já mais auspiciosos para as ditas classes baixas e médias (largos e flutuantes grupos sociais que, por oposição, serão todos aqueles que não os “ricos”).

Não que as sociedades capitalistas estivessem na iminência de se verem superadas por um qualquer socialismo libertário e abundante, em concorrência com o reino dos céus na terra. Mas porque, no dito mundo ocidental, umas muitas dezenas de anos de crescimento económico e de combate por melhores condições de vida, de cada vez mais alargadas camadas das populações, foram permitindo que bens e serviços (como nutrição básica, habitação, saúde, educação, etc.) que hoje temos por adquiridos se generalizassem a quase todas as pessoas desse dito mundo ocidental.

Tempos de uma abundância, mitificada de generalizada, e que, de qualquer modo, se vê agora a recuar e a deixar um crescente número de pessoas em níveis de pobreza a lembrar outros tempos sobre os quais passou já meio século.

E tal não é consequência de um empobrecimento global e planetário, mesmo que o nosso planeta tenha agora novos pontos de acumulação de riqueza, em concorrência com o tal primeiro mundo ocidental, mas é-o essencialmente por causa de uma recrudescente desigualdade na distribuição das riquezas criadas e acumuladas. Desigualdade que muitos de nós ainda entende como fatal, entre o cartão da raspadinha, as barbaridades televisivas (mais ou menos cor-de-rosa) e os implacáveis pontapés na bola (mais um estranho e irracional
sorvedouro de milhões).

Adiante, que aqui pela santa terrinha a política vai no seu habitual rumo, a direita governa: o sapiente eleitor distingue o presidente da distrital do PSD, que suporta e apoia o presidente nacional desse mesmo PSD, que irrevogavelmente nos desgoverna.

Haverá diferenças, que não serão só de pouso, e por isso aqui quero deixar um louvor pela criação por parte da Câmara Municipal de um dia de atendimento ao cidadão, em que o seu presidente receberá pessoalmente os munícipes, bem como, por no seio desta maioria haver, finalmente, uma vereadora.

Mais iria a maioria em bom caminho se, em sede de revisão das regras que norteiam a nossa Assembleia Municipal, providenciasse para que nas sessões da mesma pudesse a intervenção do público verificar-se no seu início.