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Limpeza em greve na Continental Mabor

Foto de STAD

A maioria dos 60 trabalhadores que asseguram a limpeza industrial e dos escritórios da Continental Mabor , em Famalicão, cumprem hoje, a partir das zero horas, uma greve de 24 horas contra a "discriminação salarial" e "tratamento desigual" das empresas Cofely Portugal e ISS Portugal, responsáveis por tais serviços na fábrica de pneus da multinacional alemã.

Nos dois primeiros turnos de hoje (seis e oito horas) a adesão foi, segundo fonte sindical, de 80%, "estando apenas ao serviço trabalhadores de empresas de trabalho temporário".

A paralisação, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores das Atividades Diversas ( STAD) e aprovada em plenário pelos trabalhadores abrangidos, repete a jornada realizada a 14 de julho e incluirá uma concentração simbólica à porta da fábrica. A Continental Mabor "é absolutamente alheia a esta movimentação nem ela interfere com a atividade normal da unidade", refere ao Expresso uma fonte oficial da empresa de Famalicão.

O dirigente sindical Francisco Corredora ressalva que a luta nada tem a ver com a Continental Mabor e que os alvos da indignação dos trabalhadores são as sucursais de duas multinacionais europeias: a unidade de limpeza da Cofely, uma sociedade do conglomerado francês GDF Suez que, como empreiteiro geral, assegura vários serviços gerais (ventilação industrial, ar condicionado, mecânica ou segurança) e a ISS, uma multinacional de raiz dinamarquesa, a quem a Cofely subempreitou a limpeza do edifício administrativo.

Um euro por dia

Segundo o STAD, a atualização de salários a que Cofely procedeu em janeiro não foi aplicada às equipas de limpeza industrial na Continental e a ISS paga salários e subsídios de refeição diferenciados, penalizando quem opera neste centro fabril.

"Esta situação de desigualdade e injustiça revolta os trabalhadores", refere Francisco Corredora. O sindicalista acusa a ISS e Cofely de "recusarem o diálogo social, ignorando o caderno reivindicativo apresentado".

Em nome da igualdade de tratamento, o STAD exige o aumento salarial de um euro por dia, com retroativos a abril, o pagamento a todos os trabalhadores de um subsídio de refeição de 4,54 euros, a criação de um subsídio de transporte e a reposição do trabalho noturno (entre as 20h e as 7h), com os prémios de 30% e 50%, de acordo como Contrato Coletivo de Trabalho do sector.

"É uma luta contra a discriminação, pela igualdade, contra a arrogância e pelo diálogo social", resume o sindicato.Francisco Corredora refere que, na última reunião, a Cofely cedeu nas reivindicações relativas "à segurança e condições de trabalho nas zonas com mais risco para a saúde", mas manteve-se intransigente nas questões remuneratórias.

Segundo o sindicalista, a Continental vai abandonar a lógica do empreiteiro geral e abrir concursos por especialidades para evitar subempreitadas e lidar directamente com o fornecedor de cada serviço.


in Expresso por