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“É preciso fortalecer a cultura institucional de democracia e transparência”

O Bloco de Esquerda promoveu, na noite de segunda-feira, no auditório da Junta de Freguesia de Calendário, uma sessão pública subordinada ao tema ‘Política autárquica em tempos de mudança’, com José Maria Cardoso, deputado à Assembleia da República, Paulo Costa, autarca e candidato à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, e Catarina Ferraz, candidata à Assembleia Municipal.

Na intervenção inicial, Paulo Costa referiu que os autarcas são confrontados com dimensões local e global dos problemas. “O impacto de projetos de mobilidade ou de saneamento, por exemplo, em relação a questões de recursos, energia e poluição, reflete-se em toda a área envolvente e não só na comunidade”, afirmou.

O candidato à presidência da Câmara considera que a nova geração de políticas autárquicas deve promover “um concelho para as pessoas”, propondo mecanismos urbanos de circulação coletiva assente em mobilidade suave e limitando a circulação automóvel, bem como preservação dos cursos de água, criando circuitos de fruição e espaços de sociabilidade para as comunidades.

Segundo o bloquista, o país é uma “democracia jovem” e o poder local assenta num “sistema presidencialista”, pelo que “é preciso fortalecer a cultura institucional de democracia e transparência” de forma a “confluir em soluções para o bem comum”.

No mesmo sentido, José Maria Cardoso frisou a necessidade de “aumentar os mecanismos de transparência nos processos”, através da consulta do PDM online e da tramitação de processos acessíveis que permitam a consulta do estado do pedido a todo momento.

O deputado apontou também que “a falta de envolvimento da população nas decisões subverte o poder de proximidade que deveriam ser as autarquias” e que “uma população mais informada e melhor capacitada assegura uma menor propensão à corrupção”.

Catarina Ferraz sublinhou que a importância da participação jovem na política nunca foi tão urgente. “Somos a geração da urgência, a geração que enfrentará as maiores consequências das alterações climáticas, a geração mais bem preparada para o mundo do trabalho, mas a mais afetada pela precariedade, a geração do sonho longínquo da habitação digna e independente, a geração que sai à rua para garantir direitos, independentemente do género, orientação sexual, etnia”, concluiu.